Artigos Introdutório

Sobre a Geração Digital – Parte 1

Recebi uma crítica e um desafio. A crítica foi que passei o ano todo reclamando da geração digital e seus defeitos que me incomodam. O desafio foi escrever algo bom sobre ela. Então, cumprindo minha promessa, aí está.

Parte 1 – O lado ruim

Eles são mais burros do que nós quando tínhamos a mesma idade. Há variações sobre este tema: eles não sabem nada, são o retrato de uma ignorância vigorosa e indiscriminada. Todos esses aparelhos eletrônicos podem até provocar em algumas pessoas, inclusive nos integrantes da geração, sintomas que parecem os do distúrbio de déficit de atenção, uma geração superficial e distraída que não consegue se concentrar em nada. Parece que estamos mentindo para nós mesmos sobre o renascimento que o computador trará, pois ele não trará nada, só significa que o neocórtex está devorando a si mesmo. Eles não leem e se comunicam mal, todo esse tempo gasto online se reflete no baixo desempenho nas provas escolares e universidades. São adolescentes que vivem grudados em telas, são viciados em internet, estão perdendo suas habilidades sociais e não têm tempo para esportes nem para atividades saudáveis. O tempo gasto online poderia ser dedicado a esportes e a conversas presenciais. O resultado é uma geração de pessoas estranhas e gordas. E algumas pessoas dizem que, quando eles se viviam em games, o resultado pode ser ainda pior.

Eles não têm vergonha. É bastante comum hoje em dia que as garotas exponham fotos provocadoras na internet. Os jovens, sem saber que isto pode via a assombrá-los mais tarde, disponibilizam todo tipo de informação pessoal online, seja para um recrutador de empresa, um futuro empregador ou para um marqueteiro manipulador, um intimidador ou predador cibernético. Os pais, educadores e empregadores ficam atônitos ao ver as demonstrações de afeto exibidas online para que todos vejam. Os jovens não veem qual é o problema!

Como os pais os mimaram, estão à deriva no mundo e têm medo de escolher um caminho. É por isto que tantos deles voltam para a casa dos pais depois de faculdade (tens uns que nem saem da casa dos pais), pois não conseguem lidar coma independência. Os pais ficam geralmente encantados, mas os vizinhos se surpreendem. Por que não estão começando a vida sozinhos? Eles serão paparicados a vida toda pelos pais, que, como helicópteros, pairam sobre seus professores universitários e até mesmo sobre seus empregadores? (recomendo uma leitura atenta ao livro “O que o jovem quer da vida?: como pais e professores podem orientar e motivar os adolescentes”, de William Damon, ed. Summus). Todos os manuais recomendam os pais a impor códigos de disciplina mais rígidos.

Eles roubam, violam direitos de propriedade intelectual baixando músicas, trocando arquivos e compartilhando tudo o que podem em redes sem nenhum respeito pelos direitos autorais. Essa atitude deveria ser considerada crime. Como nada acontece, esta geração também se tornou mestre no plágio.

Estão intimidando amigos pela internet e são violentos. Vivem uma realidade virtual e numa cultura voyeurística de violência e humilhação em nome da fama efêmera e da fortuna fácil. Isto também é em parte influência dos games.

Não têm ética profissional e serão maus funcionários. Os estudantes de hoje estão vagando sem meta, sem noção do que querem fazer ou se tornar no futuro. São preguiçosos que acham que têm direito a tudo e, ao entrarem no mercado de trabalho, fazem todo tipo de exigência irreal aos empregadores, desde tecnologia sofisticada até novas abordagens de gestão. Adoram desperdiçar seu tempo, estão lamentavelmente mal preparados para as exigências do mercado de trabalho de hoje (e de amanhã).

Esta é a nova geração narcisista. Nunca jovens foram tão narcisistas, adoram selfies, se acham. Não valorizam conquistas porque têm tudo de mão beijada graças aos enormes esforços dos pais para lhes proporcionar o que os pais mesmos não tiveram pelas circunstâncias da vida no passado de seus avós.

Eles não estão nem aí, não têm valores e não ligam para os outros. Seus únicos interesses são a cultura pop, as celebridades e os amigos. Não leem jornais nem assistem aos noticiários. Obtêm suas notícias da primeira página do site do provedor (sim, nem sequer rolam a página), não votam nem se envolvem na sociedade civil. Quando se tornarem adultos serão péssimos cidadãos.

Jerônimo Lima
Doutor em Administração de Empresas. Coach internacional certificado pela ICF –International CoachingFederation.

Categorias: ArtigoseBooksNotíciasVídeos.

Veja também:
– Por que 97% do seu planejamento estratégico é uma perda de tempo
– Planejamento Estratégico: início, meio e fim

Compartilhe:

Marcos Kayser
Marcos Kayser
CEO e Co-Fundador Scopi, Marcos é especialista em Planejamento Estratégico e mestre em Filosofia pela Unisinos, sendo também Diretor de Gestão da empresa TCA Informática, vencedora do Prêmio Nacional de Inovação em 2013.
Você também pode se interessar
Gestão de Agências de Marketing: conheça 4 agências que melhoraram o seu Planejamento Estratégico utilizando o Scopi!
Pessoas caminhando - etapas do planejamento estratégico
Planejamento Estratégico: início, meio e fim